Felipe Fulanetto

Santidade, impulso missionário

O LUTO

 

 

 

Em João 11 vemos um dos momentos mais íntimo e compassivo de Jesus. A morte do seu amigo e o choro de Deus. Podemos observar também reações diferentes de como o ser humano enfrenta a dor e a perda.

Primeiramente Tomé, que no versículo 16 faz uma exclamação extremista: "vamos também nós para morrermos com ele". Ele representa as reações dos quais desejam morrem junto com o ente querido que se foi. Demonstra a dor aguda que nos leva a desejar a morte, pela simples vontade de se livrar da perda ou de alguma forma reencontrar o falecido.

A segunda reação, podemos ver no vs. 20 com Marta, que imediatamente vai de encontro de Cristo interrogando-o porquê não esteve antes, pois assim Lázaro viveria. Marta é o símbolo das pessoas que se arrependem de não ter feito algo em quanto à pessoa era viva. Mostra a indignação de si mesmo por não ter dito "eu te amo" o suficiente ou ainda de não tem buscado o melhor tratamento, o melhor médico, melhores condições, não ter tentado o melhor de si. Jogando, assim, a culpa da omissão em si mesmo.

Em terceiro lugar no vs. 28 temos a Maria, a irmã de Marta. Ela logo de início decide não correr de encontro a Jesus, o seu mestre, como fez a sua irmã. Ela preferiu a reclusão, estar só e não buscar ajuda de imediato. Ela representa as pessoas que preferem se isolar quando há uma perda. Busca a força na solidão, se excluindo de tudo e de todas, inclusive de Deus. Chegando ao ponto de recusar a presença do seu próprio amigo e bom mestre.

A quarta reação vemos nos judeus que acompanhavam a família enlutada no vs. 37. Eles ao observar Jesus, atacaram-no dizendo que Ele poderia ter tido misericórdia e curado a Lázaro antes de morrer, jogando assim a culpa na própria fonte da vida. Eles representam as reações das pessoas que buscam culpados na hora da morte. Aqueles que por omissão individual criticam aos outros pelo ocorrido. São pessoas que se importam mais com a herança do que o falecido. Pessoas que dizem "você não dava amor a ela/ele”; “você nunca se preocupou”; “você não merece estar aqui no enterro"; “a culpa é de Deus”.

No entanto, temos, então, a última reação e a mais sublime, a de Cristo. No vs. 35, o próprio Deus em face da dor e miséria humana faz o ato mais amoroso e cheio de compaixão: Jesus chorou. Versículo pequeno, mas grande em significado. Jesus nos ensina que a nossa reação diante da perda deve ser o luto.

O luto nos ensina muito (e como). Ensina-nos a valorizar o que ficou, a amar os que são nossos, a cuidar do que é precioso. O luto mostra que a vida é efêmera, como as flores de um ipê que perdura por apenas semanas logo após o inverno. O luto mostra que não somos donos da história, mesmo acreditando que podemos prolongar a vida ou controlar o tempo. O luto mostra que somos fracos, para então, confiarmos naquele que é Todo-Poderoso.

O luto mostra que devemos sim chorar, mas chorar aos pés de Cristo. Devemos sim dizer a Deus que queremos ver a pessoa que perdemos, mas não que devemos morrer. Devemos dizer que deveríamos ter feito mais, mas não que sou culpado pela morte. Devemos dizer que não aceitamos a morte, mas não que Deus não é bom. Devemos dizer que estamos com raiva da perda, mas não com raiva de Deus. Devemos dizer que não aguentamos a dor, mas não que ela é maior do que Deus. 

O choro de Jesus nos demonstra um Deus que chora com a nossa dor. Pois o nosso Deus sabe o que é perder, o que é sentir a falta, o que é solidão e luto. Onde está Deus? Ao lado do tumulo e do caixão chorando junto com você, porque não fomos criados para a morte, mas sim para vivermos na eternidade. 

Seja você Tomé, Marta, Maria ou os Judeus, te convido a viver o luto com Cristo. Portanto hoje, chora sim. E muito. Mas chora aos pés daquele que é Senhor da história, o alfa e o ômega, a ressurreição e a vida. Confiantes, podemos descansar que nada foge do controle de Deus, digo novamente, nada foge do controle de Deus!

 

 

 

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